Zona de conforto

Depois do longão de ontem, de ficar 1 hora correndo, o programado para hoje era uma rodagem mais curta e mais preguiçosa. Coisa de 30 a 40 minutos, só para pontuar no Mova Mais. Talvez alguns quilômetros mais rápidos, mas nada de muito excepcional.

Para evitar que os carros me fizessem mudar o percurso, fui pelo caminho mais curto e logo já estava na Beira Mar. O 1º km saiu legal, a 6:29. O 2º já parecia que ia ser melhor. Eis que, quando o Garmin estava para apitar e marcar o 2º km a 6:15, encontrei o Jules, meu primo, na Beira Mar.

Ele estava só rodando em ritmo leve e também estava começando o treino. Fomos juntos pela Beira Mar. O problema todo é que o ritmo leve dele é entre 5:30 e 5:40. Claramente ele estava correndo mais lento do que poderia, só para me acompanhar, e eu estava saindo da minha zona de conforto linda e aconchegante.

Quando o Garmin apitou o 3º km tive em números o reflexo da sensação de esforço. Saiu um 5:33. E continuo piorando! O 4º km saiu a 5:30. Felizmente, o ritmo diminuiu nas parciais seguintes e corri o 5º a 5:41, o 6º km a 5:43 e o 7º a 5:42. O final do 7º km já estava sozinho, indo para casa, mas a companhia me ajudou a continuar constante.

Os metros finais até em casa saíram a 5:43. O treino preguiçoso acabou sendo o treino com melhor ritmo que fiz desde o retorno. Tudo culpa do meu primo. E foi muito bom. Ainda bem que encontrei ele na Beira Mar. Não iria correr neste ritmo sozinho. Cheguei cansado em casa e com as panturrilhas um pouquinho mais doloridas.

Na parte em que o ritmo aumentou, foram 5 km em 28:09, ritmo médio de 5:37 min/km. Foram muitos quilômetros em uma velocidade que ainda não tinha feito ou pensado em fazer. Muito tem a ver com o medo de sentir dor no pé. Como estava acompanhado e conversando, poucos foram os momentos em que lembrei de ter um pé com dores até julho.

Acredito que muito do medo de sentir dor tem a ver com correr sozinho. Sem distrações, apenas eu comigo mesmo, acabo prestando atenção na corrida e no pé. Com isso, o medo da dor aumenta e o ritmo não fica mais rápido, mesmo que, aparentemente, as coisas estão já dentro de uma normalidade.

Corri todo o mês de agosto e agora metade de setembro sem maiores problemas. Em setembro, inclusive, fiz até alguns treinos com ritmo mais rápido e nada de doer. Talvez seja mais psicológico, mas é difícil simplesmente esquecer. Amanhã devo fazer mais uma rodagem, domingo e segunda também. Pretendo me dar folga só na terça. Espero não encontrar ninguém amanhã na Beira Mar para poder trotar na zona de conforto. A saída de hoje já foi o suficiente para os próximos dias.

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