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Na velocidade do cachorro

No post de segunda, do longo de sábado, falei de problemas caninos no fim do 13º km. Vocês já devem imaginar o que aconteceu. Estava eu fazendo meu percurso normal, buscando os morros e subidas por onde passava e quando desço a rua e faça a curva, vem ele, o CÃO! Foi um negócio muito surpreendente e assustador. Assim que apontei na reta depois da curva, aquele bichinho preto, bonitinho, veio ferozmente na minha direção, latindo, com uma vontade enorme de colocar os lindos e afiados dentes em mim. Certeza absoluta.

Não sei até que ponto é verdade isso que dizem para você não correr quando um cachorro nos persegue. Parece que o melhor seria ficar parado. Mas me diz: COMO EU VOU FICAR PARADO SE UM CACHORRO SEDENTO POR UMA CANELA VEM EM DISPARADA ATRÁS DE MIM? É instintivo. Comecei a correr como nunca corri na minha vida. Pode não ter sido a melhor decisão, mas foi a única que consigo tomar no CALOR do momento. Para piorar, um cachorro branquinho que estava ali, aproveitando o dia, resolveu sair do conforto da calçada e veio participar da brincadeira.

Portanto, DOIS cachorros raivosos estavam me perseguindo. O cachorro preto pelo lado esquerdo e o branco pelo lado direito. Latindo, muito, com raiva. Eles realmente queriam dar uma mordida na minha perna. Nas minhas experiências anteriores, quando isso acontecia, eu acelerava um pouco o passo e o cachorro parava. Era coisa rápida, nem dava tempo de me assustar. No sábado, não! Quando ele veio, aumentei a velocidade, mas o normal de sempre. E como o lindo cãozinho não parou, acelerei ainda mais e mais. Lembro até de, pela possibilidade quase iminente de ser mordido, ter dado um grito.

Acho que esse momento todo não durou mais do que 30 segundos. Só que pareceram minutos intermináveis. O Garmin marcou pico de 2:42 min/km. Pode não ter sido bem isso, pode até ter sido mais rápido, sei lá. Nunca corri tanto e com velocidade tão alta. Na hora, eu nem pensava que não podia correr assim. Só pensava nas minhas pernas. Corria como nunca, quase morrendo, mas sabendo que parar poderia ser pior. Na correria, dava umas olhadas para os lados e via os vultos dos dois lados e ouvia aquele som que nunca arrefecia. Isso resultou em dores na parte posterior das duas pernas nos dias seguintes.

Aliás, como os cachorros conseguem correr tão rápido, com tanta raiva e ainda latir? Eu malemal conseguia respirar. Só pensava que se levasse uma mordida, o treino ia ficar pela metade e ainda teria consequências físicas piores. Dava passos acelerados e rápidos, de forma que nunca pensei que pudesse fazer. Só que chegou um momento que não deu mais. Não tinha mais forças. Diminuí e parei. Adivinhem? Imediatamente, o cachorro preto parou e quando olhei o branco já tinha ficado para trás. Então, talvez, do branco eu teria escapado, mas sabe-se lá em que momento o cachorro preto ia desistir de mim. Será que se eu tivesse ficado parado desde o começo evitaria esse susto todo?

O fato é que o susto me fez fazer muita força e logo depois disso ainda tinha duas subidas antes de começar a parte forte do treino. Sentia as pernas cansadas e o 14º km do treino foi o pior até aquele momento, pior até que o primeiro quilômetro. Quando chegou a hora de fazer força, a perna começou bem, mas não aguentou. Faltou energia, que com certeza deve ter ficado naquele tiro para fugir dos carros que nunca mais devo repetir na vida. O treino ainda terminou com uma média boa, mas a minha regularidade no sábado terminou naquela perseguição canina.

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Enio Augusto
Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.
https://porfalaremcorrida.com/blogdoenio

7 thoughts on “Na velocidade do cachorro

  1. ahahahaha, desculpe, mas ri alto!
    As vezes costumo ter esse problema, o que faço e recomendo é, corro em direção ao cachorro, fingindo que peguei alguma coisa no chão (pedra), com a mão em posição de atirá-la, eles sempre param e não voltam a correr atrás de você.

    Abraço

    1. No momento, não consegui pensar em nada. Só depois. Vivendo, correndo, sendo perseguido e aprendendo.
      Ainda tem isso: quem garante que o cachorro vai acreditar, né?

      1. cara, sempre acreditaram ahahaha
        e olha que sou constantemente perseguido, pois faço meus longos pela cidade, dificilmente em parques ou na usp

    1. Foi o melhor tiro da vida haha.
      Hoje, passando de novo pelo lugar, olhando bem a distância, foi muito menos do que pareceu. Só que na hora foi uma eternidade.

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