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Meia Maratona de Florianópolis – 20/11/2016

meia maratona de florianópolisDomingo, 20 de novembro, lá fui eu para a última meia maratona do ano. Desta vez, com poucos objetivos: correr sem dores e fazer o recorde do ano. A Meia Maratona de Florianópolis foi o cenário para que essa história acontecesse e é sobre ela que vai ser este post de hoje. Afinal, depois de toda prova tem que ter tudo o que aconteceu. Ou pelo menos tudo que eu lembro. Serve para eventuais consultas.

Tudo começou quando a prova foi divulgada, lá no fim de julho. Aproveitei o lote promocional e me inscrevi por apenas R$ 64,00, um valor sensacional para uma prova do nível da Meia Maratona de Florianópolis. Havia a dúvida se a prova seria realizada mesmo e essa confirmação só veio em julho, quando a Corre Brasil assumiu a organização da prova. Por conta dessa indefinição, fiquei com duas meias seguidas para correr.

Apesar desse quase choque de datas, sabia que com a Corre Brasil na organização a tendência era uma meia maratona do mesmo nível dos últimos anos, quando estava a cargo da Latin Brasil. Restava me recuperar das lesões e treinar direito para chegar no dia e não fazer tão feio, sem tanto sofrimento. Felizmente, deu tudo certo, tanto na parte de organização quanto na parte da minha corrida.

A retirada do kit da prova foi no local da largada, na Praça Sesquicentenário, na Beira Mar Norte. Era na sexta e sábado e foi bem tranquilo. Pela primeira vez, fizeram uma expo na retirada do kit. Foi interessante. Havia diversos produtos relacionado à corrida. Alguns com preços um pouco salgados, outros nem tanto. Penso que é uma experiência que deveria se repetir mais vezes, principalmente em provas como meias e maratonas. Como não estou com dinheiro sobrando, só peguei o kit, nem olhei nada na feira. No kit, do qual fizemos um unboxing ao vivo, veio número e chip descartável, que era o que realmente importava. Chip descartável e colante só não é melhor do que chip no número. Ainda, tivemos uma camiseta preta de boa qualidade, a sacola, um lata de atum, uma pacote de granola e um tablete de chocolate e café.

No domingo, a largada da meia maratona estava prevista para às 7h. Um bom horário devido ao calor que possivelmente nos esperaria. Penso que poderia ser até mais cedo. Prova em novembro já é mais quente. O ideal seria que a meia fosse em setembro ou outubro. No entanto, largar às 7h já ajudou bastante. Pegamos mais sol e calor na volta da meia, já depois das 8 horas. No início, os termômetros na rua marcavam entre 18ºC e 19ºC. No fim, vi alguns marcando 23ºC. No começo, além de mais fresco, havia as sombras dos prédios da Beira Mar. Na volta, não tinha sombra e tinha um sol bem quente.

Já que falamos do calor, temos que destacar a hidratação perfeita da prova. Tinha muitos pontos de água em vários locais, bem distribuídos e com bastante quantidade. Lembro de ter visto isotônico perto do km 16, mas não sei se teve em outros pontos também. Não dá para reclamar. Com o calor que ficou depois das 8h, a hidratação abundante foi muito importante para dar uma refrescada. Quase todos os copinhos de água que peguei estavam gelados. Alguns poucos em temperatura ambiente.

Comecei a prova de forma conservadora. Os dois primeiros quilômetros foram na média de 5:42. Do início até o km 11 mais ou menos, corri com o Guilherme. Conversa vai, conversa vem depois da largada e eu esqueci de apertar o lap do Garmin na placa de 1º km. Fiquei com uma volta de quase 2 km. Aliás, a primeira placa estava bem errada. O Strava, apesar de não ser muito confiável, dá as parciais a cada quilômetro. Ali é possível ter uma ideia desse início mais lento.

Do km 3 até o km 16, consegui manter um ritmo legal e constante. Queria fazer o melhor tempo do ano, mas também abaixo de 1h55. O ritmo variou entre 5:05 e 5:30. Em todas as parciais e pontos de corte estava bem adiantado em relação ao tempo que pretendia. Sabia, porém, que tinha que sempre ficar no máximo em 5:30, para não ter que fazer muita força no final. Já sabia que provavelmente não teria essa força a mais. Passei o km 16 com 1:25:35. Faltavam pouco mais de 5 km para correr em quase 30 minutos.

Essa falta de força foi exatamente o que aconteceu a partir do 17º km. O ritmo caiu. Não foi aquela queda de quebrar. Foi uma diminuição natural de quem já estava cansado e sem estar habituado a correr tanto nesse ritmo. Variou entre 5:34 e 5:43. Estava sentindo mais e, apesar de não estar muito fácil, ter o ritmo médio na tela do Garmin me ajudou a não deixar o ritmo diminuir tanto. A cada novo quilômetro, conferia o tempo total da prova e fazia as contas. Com isso, tinha a noção de que ainda estava dentro do objetivo de tempo.

Passei o km 17 com 1:31:11. Faltariam só mais 4 km em quase 24 minutos. Apesar do ritmo ter ficando mais lento, ainda estava dentro do previsto. Sabia que podia correr a quase 6 min/km que ia conseguir. Não queria também me acomodar tanto e tentava manter abaixo dos 5:40. Só o km 20 saiu maior, a 5:43. Foi meio que uma reserva de energia para tentar um sprint final no último quilômetro. O km 18 foi com tempo total de 1:36:41. Precisava de 3 km em mais de 18 minutos. O sub 1h55 viria com certeza. Outra coisa a se notar é que atingi o meu tempo e recorde do ano passado com 18 quilômetros e alguns metros. Ou seja, este ano fiquei uns 3 km atrás do Enio de 2015.

Quando passei o km 20 em 1:47:53, vi que seria possível até sub 1h54. Não seria nada mal. Só precisava fazer pouco mais de 1 km em 6 minutos. Teria que fazer força. Tentei. O começo foi animador, rondei os 5 min/km, mas o ritmo foi caindo. Não consegui manter. O Gustavo Nunes até passou por mim e falou para ir no sprint final. Fui uma parte, acelerei, mas não retrocedi. Chegando perto da linha de chegada é que vi que teria que acelerar o passo se quisesse o sub 1h54. Era duas coisas distintas: a vontade de fazer 1h53 alto e a falta de vontade de fazer força. Os últimos metros saíram a 4:42 de ritmo, mas não foi suficiente. O tempo oficial ficou em 1:54:02. No meu Garmin tinha dado 1:54:03. Até pensei que poderia ter uns segundos de sobra e no tempo líquido conseguir o 1h53, mas não teve jeito. Só ganhei 1 segundo. Disso, pode se tirar que sou muito preciso quando começo e paro o GPS nas corridas. 😀

Não foi o tempo dos sonhos novamente, mas mostrou uma melhora de mais de 2 minutos. 1h54 ainda é mais perto das 2h do que do 1h45, mas o ritmo médio ficou em 5:23 min/km. O ritmo não é de todo ruim, mas meia maratona tem essa crueldade de o tempo redondo ser 2 horas, o que significa um ritmo médio de 5:40 min/km. Geralmente, nas outras distâncias, os tempos redondos são mais amigáveis. Sub 55 nos 10 km é 5:30, por exemplo. Enfim, não fiz o melhor tempo da vida, mas foi o melhor do ano. Como registro, foi o 14º da vida entre 28 maratonas. Uma curiosidade é que fiz exatamente o mesmo tempo na Meia Maratona de Florianópolis em 2012. Nem se tivesse pensado nisso, daria tão certo.

Nessa prova também tivemos o Desafio PFC 21 km. Eu o Guilherme corremos lado a lado por uns 11 km. Depois, ele apertou o passo e eu não consegui acompanhar. Só perdi ele de vista nos 2 últimos quilômetros, mas minhas energias e forças estavam mais no recorde do ano do que tentar chegar mais perto. Ele fez uma baita prova. Terminou em 1:50:18, conseguindo ainda acelerar no fim. O resultado do desafio vai sair em breve no nosso canal do YouTube.

Após a corrida, os corredores eram direcionados por um caminho para pegar frutas, água e isotônico e na tenda mais à frente retiravam as medalhas. A fila estava meio grande, muito por que os corredores se aglomeravam na primeira bancada com os itens e esqueciam da seguinte. Como eu não ia pegar nada, fui pelo lado, sem filas e tumulto e já saí para pegar a medalha. Se quisesse, poderia até ter pego frutas sem problemas. Na bancada seguinte, não havia ninguém. Pessoal é muito apavorado. Parece que não tem comida e água em casa e se amontoa logo na primeira oportunidade.

Fora essa pequena aglomeração, não vi problemas na Meia Maratona de Florianópolis. O que achei errado foi no site estar a largada dos 5 km e 10 km às 7h30 e mudarem para às 7h50 no dia. Pior, largaram um pouco depois das 8h, já com o sol mais forte. Pelo percurso das distâncias, até faz sentido 5 e 10 largarem depois, para não ter encontros na avenida, mas mudar em cima da hora não é legal. A largada às 8h ocasionou um outro encontro, que foi o pessoal chegando da meia maratona junto com o pessoal dos 5 e 10 km. Essa parte ficou meio confusa. Outro ponto que posso destacar é que a disposição dos banheiros químicos estava desordenada. Não havia um padrão, de um lado masculino e de outro feminino. Eram todos misturados. Então, além das filas, alguns banheiros ficavam desocupados e ninguém se dava conta. Para mim, o óbvio seria colocar de um lado só banheiro masculino e outro só feminino. Formaria uma fila só e todos os banheiros seriam utilizados.

De resto, prova muito boa. Da meia maratona só tenho coisas boas para falar. Não é a maior meia do estado. Ainda fica atrás da Meia de Floripa, mas foram mais de 1.500 concluintes só na meia. Um ótimo número. Por outro lado, se não é a maior meia, com certeza é a mais veloz e propícia para recordes pessoais. Diferente da Meia de Floripa, a Meia Maratona de Florianópolis tem apenas 3 pequenas subidas dos elevados, que não quebram tanto o ritmo, enquanto a Meia de Floripa tem uma baita subida da ponte na volta, lá pelo km 18, daquelas que quebram o ritmo. O único problema da Meia de Florianópolis é a data. Novembro pode ser um mês muito quente. Se for realizada entre setembro e outubro, melhor.

Enquanto na Asics Golden Run Brasília, tive problemas com a bexiga, nesta meia tive problemas na sola do pé. Assim como em Brasília, não sei por que apareceu nem o motivo. Desde os primeiros quilômetros, senti um incômodo na sola do pé direito. Foi mais forte no começo e depois foi diminuindo. Na segunda ainda senti um pouco e depois foi passando. Psicologicamente, ficar 18 km com vontade de fazer xixi foi pior do que essa dor na sola do pé.

Falando em dor, não senti nenhuma das dores que me atrapalharam nos treinos este ano. Nada no tendão, nada no peito do pé e nada na região da tendinite fibular. O que eu senti mesmo foram dores depois do km 16, principalmente nos pés, mas em outras regiões. Foi principalmente na junção dos dedos e na ponta da sola do pé, onde eu piso. Inclusive, fiz uma pequena bolha no pé esquerdo nessa área. Acredito que ainda não estou com os pés totalmente adaptado a correr com o médio pé em ritmo mais forte. Parece normal, visto que fiz pouquíssimos treinos em ritmo mais forte do que o 5:23 min/km desta meia. Quando o incômodo ficava mais forte, tentava diminuir o ritmo e pensava que cada vez estava mais perto do fim. Em um determinado momento, quando peguei água, fiquei tão atrapalhado que até comecei a correr pisando com o calcanhar, mas ficou tão estranho que em seguida mudei.

Encerro assim o ano de meias maratonas, tendo boas perspectivas para o ano que vem. Não sei ainda se vou focar em meias ou provas menores, mas o certo é que terei que incluir na rotina os treinos de velocidade. Eles terão que ser frequentes para que possa melhorar. O alto volume ajudou a aguentar as duas meias sem maiores sofrimentos. Ambas foram difíceis no fim, mas nada comparado ao sofrimento na Meia de Floripa. Nas duas meias fiz um ritmo de certa forma controlado até as distâncias e tempos que havia treinado. Não foi o melhor ano em meias, mas melhoramos progressivamente. Ainda bem que não tem uma quarta meia. Não sei se conseguiria fazer algo melhor que 1h54.

Quero, a partir de agora, treinar mais para diminuir o tempo nas próximas corridas. Pelo que foi o ano, está razoável, mas me incomoda não conseguir correr ainda 5 km ou 10 km abaixo de 5 min/km. Isso só vem com mais treinos de velocidade, menos rodagens e mais confiança. Confiante até já estou bem mais. Ainda não 100%, mas quase nunca lembro que estive uma boa parte deste ano lesionado. Neste ano, foram 3 meias: Meia de Floripa em 1:58:55, Asics Golden Run Brasília em 1:56:47 e Meia Maratona de Florianópolis em 1:54:02.

Você que é de fora ou que é de Santa Catarina e que gosta de correr, saiba que a Meia Maratona de Florianópolis é uma ótima pedida. Bem organizada e com um trajeto bonito, além de plano. Para recordes pessoais é muito boa. Basta você estar treinado que a mágica pode acontecer. Foi o quinto ano seguido que participei da prova e pretendo voltar em todos os outros anos em que for realizada. Provas boas devem ser aproveitadas.

meia maratona de florianópolis
Kit da prova (foto: Eduardo Hanada)

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Enio Augusto
Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.
https://porfalaremcorrida.com/blogdoenio

2 thoughts on “Meia Maratona de Florianópolis – 20/11/2016

  1. Muito bom post Enio, parabéns! Gostei muito da prova também, o percurso é ótimo e a hidratação estava perfeita. Ano passado participei dos 5km deste evento e agora em 2016 parti para minha estreia nos 21,1km. Foi mais sofrido que o imaginado, mas completei o percurso em 1:44:27 (tempo líquido oficial) e consegui o pace sub 5min. Agora a meta é aumentar o volume para não sofrer tanto nas próximas e quem sabe pensar nos 42km num futuro próximo. Um abraço!

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