corrida pela paz
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Corrida Pela Paz – 15/10/2017

A Corrida Pela Paz teve mais uma edição em Florianópolis. De acordo com o idealizador da corrida, foi a 10ª edição do evento. A primeira que participei foi em 2009 e este ano fui mais uma vez, depois de um hiato de dois anos sem correr nela. A Corrida Pela Paz foi realizada no dia 15 de outubro, na Beira Mar Continental. As distâncias disponíveis eram 5 km e 10 km para corrida e 3 km para caminhada.

Resultados
Fotos que o Eduardo Hanada tirou

Retirada do kit

A retirada de kit aconteceu na sexta e sábado, na loja do Magazine Luiza no Centro de Florianópolis. Quando fui retirar, sexta à tarde, enfrentei uma fila pequena, mas que estava andando. Foi bem tranquilo para pegar. O que acho ruim é o local de retirada. É muito no centro da cidade, é ruim de chegar de ônibus e de carro. Prefiro quando é em shopping, tipo o Beiramar, fica mais simples. No entanto, como o Magazine Luiza é apoiador/patrocinador do evento, faz sentido a entrega ser lá.

Kit

O kit da Corrida Pela Paz era bem simples. Quem gosta de kits recheados certamente ficaria decepcionado. O que veio nele foi suficiente para mim. Camiseta, número de peito e chip, além de um daqueles tabletes de chocolate. Dos itens citados, tendo número e chip bastaria. A camiseta é um plus que não é essencial. A deste ano, por sinal, é roxa e muito bonita, com tecido bom. A do ano passado era muito feia, parecia uma caveira.

Esse kit básico vinha ao encontro do preço da inscrição. O valor era R$ 40,00, mais a taxa de inconveniência e um quilo de alimento não perecível, que deveria ser entregue no momento de retirar o kit. As doações foram em prol do asilo Cantinho do Idoso de Ratones. Sempre legal ajudar as entidades que precisam.

Corrida Pela Paz

Participei da corrida de 5 km. Era o meu grande teste. Colocar à prova os treinos e ver se as coisas estavam no caminho certo. Além disso, o percurso de 5 km daria uma volta apenas. 10 km eram duas voltas. Estou treinando pensando nos 5 km. Logo, 10 km não está nos planos, com duas voltas menos ainda. O trajeto na Beira Mar Continental é praticamente plano e propício para tentar fazer tempo.

A largada da Corrida Pela Paz estava prevista para as 8h, sendo que a caminhada largou 5 minutos depois. À meia-noite, entramos no horário de verão. Os relógios tiveram que ser adiantados em uma hora. Acredito que ninguém tenha se atrapalhado ou perdido a largada por causa disso. Desta vez, optei por ir sozinho. Pensei até em ir de bicicleta, mas não quis me cansar demais na ida. Fora que teria eu voltar pedalando.

Fui de carro. Como era na Beira Mar do Estreito, o estacionamento é amplo, fácil de chegar e sair. Não teria muitas dificuldades. Pensando nos vídeos da cobertura para o Por Falar em Corrida, no aquecimento e tudo mais, programei o despertador para 5h30. Dormi relativamente cedo no sábado. Se não tivesse dormido à tarde, teria mais facilidade para dormir. Acabei chegando na Beira Mar às 6h30, mais cedo do que imaginava.

Domingo não tem trânsito, então foi rápido. Quando cheguei havia poucos corredores. Os portais ainda estavam sendo montados, a cronometragem instalada e as grandes colocadas. Estava com tempo. Aproveitei para ir ao banheiro e fiz uns vídeos para o Por Falar em Corrida. Também comecei a encontrar os amigos por lá. Todos foram chegando com enquanto o dia amanhecia.

Ali pelas 7h20 iniciei o aquecimento. Em corridas para fazer tempo não dispenso o aquecimento. Foram quase 15 minutos. Meu plano era depois do aquecimento ir mais uma vez ao banheiro, mas não foi possível. Havia apenas 8 banheiros químicos, sendo 4 masculinos e 4 femininos. Só que a empresa de limpeza pegou os banheiros para limpar pouco depois que usei e só devolveu faltando uns 30 minutos para a largada. Quando chegou o banheiro, pessoal foi correndo para tentar garantir um lugar mais na frente.

Acabei indo apenas uma vez, mas foi o suficiente. Era mais frescura. Conversei mais um pouco com os amigos e fui alinhar, tentar pegar o lugar mais na frente possível para a largada. Meu plano era ter o caminho livre para correr. Desta vez, eu iria atrapalhar, talvez, quem estivesse atrás. Fomos lá para frente eu, o Eduardo e a Ana. Nosso objetivo era correr o mais rápido possível no dia, em busca dos recordes.

Percurso

O percurso, como falei, é praticamente plano. No finalzinho do km 2 tem uma subidinha que quebra o ritmo, mas em seguida já desce. Não é nada que comprometa muito. No retorno também tem uma subidinha leve. Durante o trajeto, também temos falsos planos. Aquela rua que parece plana, mas correndo você percebe que tem algumas ondulações. Não vai derrubar o ritmo, mas dá para sentir que não é totalmente reto. Conhecendo o percurso, já tentei me preparar para isso.

O vento

Um outro detalhe é que choveu na sexta-feira. Com isso, é quase certo que nas manhãs seguintes teríamos vento. Sábado o vento estava ainda mais forte. No domingo, diminuiu a intensidade, mas ele ainda se fazia presente. Quase todo mundo foi de camiseta de manga comprida ou casaco corta vento para antes da corrida. Só o tonto aqui foi de regata porque não percebeu em casa que teria tanto vento.

O vento foi diminuindo ao longo do dia. O sol, por outro lado, só apareceu depois da corrida, a partir das 9h. O vento estava contra os corredores na ida. Quando estávamos mais descansados, haveria o vento para segurar. Na volta, mais cansados, o vento empurraria. Apesar do vento ter atrapalhado na ida, achei melhor assim. Menos complicado correr com vento contra na ida. Se for para incomodar, que seja quando estou menos cansado.

A corrida

Primeiro, largaram os portadores de necessidades especiais e em seguida foi a vez dos 5 km e 10 km. Liguei a câmera e me preparei. Iria tentar o recorde do ano nos 5 km e fazer os vídeos. Seria uma experiência interessante tentar correr rápido e ainda filmar. Pensando na falta de coordenação em ficar ligando e desligando a câmera, optei por ligar ela antes da largada e só desliguei depois que tinha pegado a medalha e a água. O vídeo bruto deu mais de 25 minutos.

Logo no começo da corrida acabei exagerando no ritmo. Senti um cansaço maior, uma queimação, estava estranho. Foi fácil perceber que estava mais rápido do que deveria. Em casa, olhando o gráfico do Garmin, descobri que fiquei pouco mais de 1 minuto correndo abaixo de 4 min/km. Lógico que não ia conseguir manter. Aos poucos, fui ajustando o ritmo. Em nenhum momento ficou tranquilo, mas ficou mais suportável.

Deixei a tela do Garmin com o tempo e a distância. Só sabia do ritmo quando ele apitava a cada quilômetro. Fora isso, na sensação de esforço, fazendo força, tentando não deixar o ritmo cair. No início da corrida foi mais fácil não olhar para o Garmin. A partir do 3° km olhei com mais frequência e parece que o tempo e os quilômetros não passavam. Já era sinal do meu cansaço. No caso, olhar só me ajudava a saber qual a distância percorrida e o tempo. O ritmo era um mistério. Pelo menos tinha ideia de quanto faltava para terminar.

Voltando ao 1º km, graças ao começo meio desproporcional, consegui fazer em 4:23. Como a meta inicial era o recorde do ano e, quem sabe, um sub 24, estava bem abaixo. O plano era manter o mais forte possível até onde desse. Se a projeção indicasse sub 24, melhor ainda. No 2º km, o ritmo caiu um pouco, influenciado pelo começo muito rápido e pela subidinha. Fechei em 4:36, ainda abaixo dos 4:48 do sub 24.

O 3º km foi a descida e o retorno que tinha a subida e descida. Tentava manter o nível de esforço. O resultado foi um 4:29. O sub 24 dificilmente escaparia. Era a única conta que conseguia fazer. No 4º, mais cansado, mesmo com vento me ajudando, não consegui render. Tentava sustentar, mas era cada vez mais difícil. Completei em 4:38, minha pior parcial e ainda assim abaixo de 4:40.

Cada vez que olhava no Garmin depois do 3º km tinha a impressão do tempo não passar. Parecia que os metros e os segundos estavam quase congelando. Segui em frente. O último quilômetro era o momento de dar o resto de energia que talvez tivesse. Queria ter feito melhor, mas ficou em 4:35. Com vento ajudando, metros finais e tudo mais não consegui baixar dos 4:30. Menos mal que o sub 24 estava garantindo.

Falo que estava porque passei o km 4 com 18:06. Tinha quase 6 minutos para fazer sub 24, mais precisamente 5:53. Não tinha como escapar. Por outro lado, o sub 23 começou a parecer viável. Precisava de 4:53 para isso. Não seria fácil, mas baseado nos ritmos anteriores poderia conseguir. Lembro que ali pelo km 4,6/4,7 olhei no Garmin e tentei fazer as contas.

O esforço não me permitiu calcular direito. Achei que não daria de jeito nenhum. Só que tenho certeza que vi um número e entendi outro. Mais perto da chegada, percebi que seria possível. Até por isso, acelerei mais na chegada, fechando os metros residuais em 4:16. No Garmin, deu 5,04 km e 22:50, ritmo médio de 4:32 min/km. Ou seja, a distância foi validada pelo DataEnio, que é o que mais importa.

No fim da corrida, até achei que não conseguiria porque havia três portais infláveis no percurso. Um do Magazine Luiza, bem grande, outro com o relógio e tapete de cronometragem e um mais atrás, já na dispersão. O problema é que esse mais atrás estava escrito bem grande CHEGADA. Naquela mistura de esforço e falta de oxigênio, visualizei o portal escrito CHEGADA e pensei que não daria.

Foi só então que tive um momento de lucidez e visualizei o relógio embaixo do segundo portal. Ali que veio a motivação final que precisava para acelerar mais. Se a chegada fosse no terceiro portal, talvez não daria sub 23. Ou daria bem mais apertado. Felizmente, consegui. No tempo oficial da prova, ficou ainda melhor: 22:46. Ganhei 4 segundos. Essa é a vantagem de só parar o Garmin depois da chegada. Estar filmando ajudou nisso também.

Recorde mundial pessoal

A Corrida Pela Paz acabou saindo melhor do que a encomenda, melhor do que o esperado. O recorde do ano, de 24:32, foi batido com sobras. Como só fui com esse pensamento, nem me dei conta que havia conseguido também meu recorde pessoal na distância. Sim! Deu recorde mundial pessoal nos 5 km! O anterior era de 23:09. Até já tinha corrido em um ritmo médio mais rápido em 2015, mas a corrida não teve 5 km. Esta ano teve e obtive um novo recorde.

O que seria um teste dos treinos e uma simples busca de um recorde do ano, que julgava ser viável, veio junto também um recorde da vida, que estava vigente desde maio de 2012. O sub 25 parecia possível e o sub 24 era provável, mas ainda não tinha feito este ano. O sub 23 era muito improvável. Não sabia se conseguiria manter esse ritmo de 4:35 necessário. Acabei fazendo, no tempo oficial, 22:46 e ritmo de 4:33 min/km.

Com recorde pessoal da vida nos 5 km, a Corrida Pela Paz vai ter um lugar mais especial na galeria das 180 corridas que participei. Os treinos realmente funcionaram. Dá mais motivação para continuar treinando e tentar melhorar esse tempo. Gostei da regularidade e do resultado, mas ainda acredito ser possível correr mais rápido. Questão de detalhes, percurso e clima. Continuamos e seguimos em frente.

Premiação e troféus para os amigos

Depois que tudo terminou, ainda aguardei a premiação, não por expectativa de ganhar algum troféu (precisaria correr abaixo de 21:11 para ser o quinto), mas para esperar o Jabson e a Ana que conseguiram troféus na categoria nos 5 km. Foi uma longa premiação, já que eram entregues troféus para os cinco primeiros de todas as categorias nos 5 km, nos 10 km, PNE, cadeirantes e deficientes visuais. Particularmente, acho um exagero esse tanto de troféu, mas os corredores e ego deles gostam.

Durante a premiação, o Ricardo Medina veio falar comigo. Ele é de Porto Alegre e aproveitou o feriado para viajar para Florianópolis e correr por aqui. Ele veio com um grupo de corredores e participaram da Corrida Pela Paz. Ele é dono da R2, junto com a esposa Renata, e viajam pelo Brasil e pelo mundo em busca de corridas. É sempre legal encontrar pessoalmente quem assiste ou escuta o Por Falar em Corrida. A Corrida Pela Paz valeu também por isso.

Recebidos os troféus, mais um pouco de conversa e o destino final foi a Big Pan, padaria que tem um formidável café da manhã. Fomos eu, Eduardo, Ana, Jabson e Juciana. Já tinha passado das 11 horas quando chegamos lá, estavam quase servindo o almoço, mas deu tempo de pegar frios, frutas, ovo, bacon, salsicha, bolos e salgadinhos. Foi a recompensa depois da Corrida Pela Paz, com recordes, troféus e muita diversão. Tudo só poderia acabar em comida.

Sobre o evento

A Corrida Pela Paz foi muito bem organizada. Não esperava nada diferente da Corre Brasil. Hidratação no percurso em abundância. No vídeo da cobertura, falei em 3 postos de água, que viravam 6 porque era ida e volta, mas na verdade eram 2 que viravam 4. Foi muita água. Quem gosta de tomar água durante a prova não sentiu falta. Largada no horário, sem problemas, chegada tranquila, tempo registrado certinho, distância correta, premiação longa, porém sem falhas, saiu tudo redondo. O que achei que faltou foram os banheiros químicos. Só 8 era pouco para o tanto de pessoas que estavam lá.

Concluintes

Foram 1.192 concluintes, sendo 807 nos 5 km e 385 nos 10 km. Foram 438 mulheres e 369 homens nos 5 km e 118 mulheres e 267 homens nos 10 km. Aconteceram outras corridas no fim de semana que podem ter tirado alguns corredores da Corrida Pela Paz. No entanto, para os padrões de Florianópolis, mais de mil pessoas na Beira Mar Continental não deixa de ser um bom número. Essa é uma corrida que posso recomendar para fazer ano que vem.

Cobertura da prova

Garmin Corrida Pela Paz

Fotos Corrida Pela Paz

Kit da Corrida Pela Paz. Foto: Eduardo Hanada

Ricardo Medina, assiste e escuta o PFC. Aproveitou o feriado para correr em Floripa. Veio de Porto Alegre com um grupo de corredores

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Medalha da Corrida Pela Paz

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Enio Augusto
Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.
https://porfalaremcorrida.com/blogdoenio

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