Quando trocar o tênis


Quando trocar o tênis de corrida? Já tinha ideia de falar sobre isso. Depois do vídeo da semana passada falando dos tênis que tenho, recebi alguns comentários sobre a quilometragem deles e se ainda estariam bons para correr. Sempre me incomodou um pouco essa conversa de trocar o tênis a cada 300 km, a cada 500 km, a cada quilometragem exata. É lógico que com o tempo o tênis vai ficando gasto, mais sujo, com alguns furos eventuais e coisas do tipo, mas ele dura bem mais do que esses estipulados 500 km.

Tenho vários tênis que já passaram de 500 km e alguns já passaram de 1.000 km. Lamento que só tenha começado a anotar a quilometragem dos tênis a partir de 2015. De 2014 para trás tenho poucos registros. Consigo saber os tênis de algumas provas importantes e de outras que tenho foto. De resto, não tenho nada contabilizado.

Reconheço que a utilidade prática dessa quilometragem não existe. É mais um dado histórico. Talvez sirva para comprovar que não é preciso trocar o tênis depois de 500 km. Gosto de ter registrado porque gosto de anotar tudo. A cada ano invento alguma coisa a mais para anotar, mas agora acredito já ter o básico: distâncias e tempos dos treinos e dos tênis.

Afinal, quando trocar o tênis?

Esta pergunta pode ser respondida de diversas maneiras. Precisar trocar você não precisa, mas corredor está sempre querendo comprar um tênis novo. Se você tem apenas um par de tênis, troque quando o atual furar ou rasgar de maneira que o inutilize. Este é meu critério. Você também pode ter mais de um par. É o que recomendo. Com o revezamento dos tênis, o desgaste é menor e talvez a demora para trocar seja maior. Isso, claro, se você acredita na quilometragem mágica. Mesmo que não acredite, é interessante revezar. Também pelo desgaste, mas pela adaptação do pé a outras formas e estilos de tênis.

Quando se tem vários, a questão não é nem quando trocar o tênis, mas quando aposentar. E neste caso também entra o critério que falei acima. Pode existir a questão sentimental de ir mal com um tênis em alguma corrida e querer abandonar, mas em geral ele tem que furar ou rasgar. Se tiver muitos tênis, mas muitos mesmo, uma outra ideia é doar os mais antigos ainda em condições. Muitas pessoas ficarão contentes.

Uma coisa para se pensar é que quem recomenda essa troca geralmente são as marcas, lojas e sites, que podem ter um interesse direto ou indireto em vender tênis. Afinal, eles precisam que as pessoas continuem comprando. O negócio deles é esse. Lançam vários modelos todos os anos e se ninguém comprar vai dar prejuízo. Só que na verdade corredores estão sempre querendo tênis novos. Eles não precisariam usar este motivo da quilometragem, mas tentam colocar mais uma razão para adquirir novos tênis. Se a cada 100, 1 ou 2 comprarem por isso, já estão no lucro.


Sobre Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

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