O tiro e o cachorro


Durante alguns treinos, já tive algumas experiências com cachorros vindo atrás de mim. As primeiras foram mais traumáticas. Não sabia bem como lidar com isso. Afinal, se vinha um bicho correndo eu corria mais rápido. Só que isso não tinha fim. Mais rápido eu corria, mais rápido o cachorro vinho. Quando acabava o gás, eu parava e ele parava. Filho da mãe!

A pior situação foi em 2015. Relatei ela por aqui. Desde então, adoto a única atitude possível quando o cachorro cisma de querer vir para cima: paro. E tem funcionado muito bem. Hoje aconteceu de novo. Na quinta passada também. Hoje foi só um cachorro e na quinta passada foram dois, coincidentemente no meio de alguns intervalados.

Na quinta passada, estava na rua bem tranquilo, no ritmo mais forte, quando um carro arrancou e foi embora. Ele saiu e apareceram dois cachorros na frente de um portão que prontamente vieram atrás de mim. Sempre tem o susto inicial, mas a vivência já me fez saber que tinha que ficar parado. Parei e eles pararam. Comecei a andar e eles ainda vieram atrás andando também. Latiam, mas nada que representasse real perigo, aparentemente. Parava e andava, passos menores, quando já estava mais longe do portão, eles voltaram para onde estavam e cada um seguiu o seu caminho.

Hoje foi um pouco diferente. Corri de madrugada. As ruas estavam desertas, iluminadas apenas pelos postes da rua. No sexto tiro de 1 minuto dos 12 previstos, estava na rua, correndo, fazendo força e do nada sai um cachorro da calçada com uma voracidade impressionante. Ele estava deitado do lado de um mendigo, que dormia bem tranquilo. Talvez o cachorro tenha pensado que eu era uma ameaça e o bichinho veio. Teve o susto inicial, mas logo em seguida parei.

Desta vez parei de parar mesmo. Sem andar. Ele parou também e foi voltando vagarosamente para ficar ao lado do dono. Isso é a prova que os cachorros são fiéis. Acho que hoje o cachorro nem ficou de muita frescura porque eu parei meio indignado. Estava fazendo os tiros bem e tive que parar por causa dele. Antigamente eu ficava com medo quando vinha um cachorro. Hoje eu fico com raiva porque ele me faz parar o treino. O cachorro deve ter percebido isso. Ou não. Parei já falando: “de novo, atrapalhando meu treino”.

Mesmo com a parada técnica canina, não foi o pior ritmo dos intervalados. O que mostra que neste tiro estava bem até. No treino de hoje foquei apenas em correr, sem me preocupar com ritmo. Lógico que tentei correr forte, mas só descobri em casa o quanto tinha sido cada um. E me surpreendi com o resultado. Bem mais rápido do que aparentava. Devo continuar nessa linha nos próximos treinos. Ir mais pela sensação de esforço e deixar para me preocupar com o ritmo nas corridas.


Sobre Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *