O sódio da água


sodio da aguaComo estou correndo menos nos últimos meses e totalmente parado nos últimos dias, os assuntos relacionados à corrida estão definhando, assim como meu fôlego e forma. Aquele trote fajuto de sexta me mostrou que, além de não estar pronto para participar de uma prova, o fôlego até não está tão ruim ainda, mas as pernas se acostumaram fácil com a vida de dormir até tarde e não correr.

Já que os assuntos de corrida estão ficando menores, vamos falar de algo que também está relacionado com corrida: a alimentação. Na última semana, fiz uma farra gastronômica e por dois dias seguidos almocei em um restaurante de comida japonesa. Muito sushi, muito arroz, muito salmão, alguns legumes e água, basicamente. Ativando a insulina como se não houvesse amanhã.

Pois bem. Quando vou em lugares assim ou em confeitarias e padarias, sei que o que tem lá são coisas que não fazem parte da minha alimentação normal, não é o que como em 80%, 90% do tempo. Quando vou nesses lugares, vou para comer mal. Não fico procurando motivos para evitar isso ou aquilo. Fui lá para comer mal e é o que faço.

O que me leva ao que vi quinta-feira no sushi. Um casal estava se servindo e o rapaz pediu uma água. Ao olhar a garrafinha, ele reparou que a água continha 18 mg de sódio. Prontamente, ele pediu por uma água com sódio menor, caso tivesse. O funcionário foi lá e achou uma com 4 mg de sódio. O cara ficou todo feliz e falou: “quanto menos sódio melhor, né?”.

Os absurdos começam aí. O cara vai em um lugar onde vai comer basicamente arroz. Pelas minhas pesquisas, parece que na preparação do sushi vai açúcar e sal, além do arroz e outras coisas. Para melhorar, o cara pediu qual era o shoyo light!!! Ou seja, vai comer sushi (que tem açúcar e sal), mas o sódio da água tem que ser baixo e o shoyo light. Enquanto isso, o prato cheio de arroz.

Eis aí um clássico exemplo das pessoas focando na coisa errada na alimentação. É louvável a preocupação dele em absorver menos sódio no corpo, através do shoyo light e da água com 4 mg de sódio. Só que faria mais sentido ele simplesmente não ir ao sushi. Se vai lá, afunda o pé na jaca (ou no sushi), porque, com certeza, esses detalhes não farão diferença desta vez. No resto da vida dele, talvez, mas naquele momento não.

É como pedir um hambúrguer e tomar Coca Light ou pedir uma fatia de bolo de chocolate e ficar preocupado com o sódio da água! Você já está errando na escolha do principal, não adianta focar nas coisas pequenas achando que vai diminuir o impacto. Não vai! Pode ser que psicologicamente ele fique mais feliz com a escolha, mas não serve para muita coisa. O corpo vai sofrer igual.

Depois dali fiquei imaginando que o rapaz poderia ser aquela típica pessoa que pensa no SÓDIO DA ÁGUA e no SHOYO LIGHT, mas em casa come um ou dois pães de trigo, quem sabe fuma um cigarro, toma uma cerveja, não pratica atividade física. As pessoas tendem a dar importância demais para o que menos precisa. Quando vou ao sushi, só me preocupo em comer. Muito. Porque aquilo não é tão frequente. E é muito bom. E faz muito mal.


Sobre Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

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