Meia de Floripa – 11/06/2017

Chegou o dia da Meia de Floripa. Se tivesse que eleger uma prova da qual não posso deixar de participar, seria essa. Foi minha primeira meia maratona e é a única corrida em que estive presente em todas as edições, sempre na meia maratona. Não poderia ser diferente neste ano, ainda que a preparação fosse a pior possível. Quando corri ano passado pensei que seria quase impossível chegar tão mal preparado para uma meia maratona. Era quase mesmo. Porque este ano cheguei em piores condições.

As dores no joelho me fizeram perder o mês de abril e o retorno em maio foi com poucos treinos. Diferente do ano passando, quando, ainda que correndo distâncias menores, consegui correr mais, deixando o corpo mais preparado para a corrida. Fui para a prova sonhando com o sub 2 horas, sabendo mais ou menos o que poderia acontecer, baseado nos treinos feitos. Só não tinha bem certeza em que momento da prova o corpo ia sucumbir. Esperava que fosse lá na subida da ponte ou ao fim da corrida. Desta vez, porém, ele reclamou antes.

Inscrição da prova

A inscrição não era das mais baratas, mas nos primeiros lotes o preço estava razoável por tudo que o evento entrega. Depois, logicamente aumentou. Ainda na retirada dos kits estavam fazendo inscrição por R$ 135,00 em dinheiro, pelo que fiquei sabendo. Aproveitei uma promoção do Peixe Urbano e com mais um cupom desconto garanti a minha inscrição por R$ 90,95, um ótimo valor.

Retirada do kit da Meia de Floripa

O kit da Meia de Floripa foi bem simples e a feira também seguiu o mesmo caminho. No kit, retirado na sexta e sábado antes da largada no Majestic Palace Hotel, veio uma camiseta, um boné, um gel e uma sacola, além, é claro, do número de peito e chip. Este era o kit básico. Na retirada, apenas um local com as coisas da Ativo Store e nada mais. Se você não é assinante da O2, praticamente nada ia interessar ali. A jaqueta e a camiseta da prova, apesar de bonitas, não valiam o preço.

A temperatura

Dias antes, foi enviado um e-mail avisando que a largada havia sido adiantada. Como só olhei o site da prova na quinta e sexta antes do evento, lá já constava largada às 7h. O horário original era 7h30. Na minha cabeça, sempre foi 7h. Fiquei até surpreso com os amigos compartilhando a informação de que havia sido adiantada. Esse adiantamento pode ter a ver com as pontes que ficam fechadas no domingo. De qualquer forma, a largada que já seria cedo foi mais cedo ainda, o que torna as condições para correr mais favoráveis.

Diferente do ano passado, largamos com 10ºC. Ainda gelado, mas menos do que os 6º C de 2016. Mesmo menos frio, ainda era muito bom de correr. Não tinha vento, céu azul, tempo aberto e sol ao longo do percurso. Não era aquele sol que atrapalhava. Ele mais esquentava o ar gelado da manhã. Da minha parte, corri de regata e bermuda de compressão e só fui sentir as mãos e os pés lá depois do 3º km. Foi o tempo que demorou mais ou menos para aquecer. Os termômetros durante a corrida marcaram entre 11ºC e 18ºC. No fim, já na arena do evento, chegou a 20ºC.

A Meia de Floripa

Optei por desligar o lap automático do Garmin. Fui com o lap manual e dividi a prova em 3 partes de 7 km. Ou seja, cada volta teria 7 km e em cada uma delas tentaria manter um ritmo abaixo de 5:40 min/km, para garantir o sub 2 horas. Tem toda aquela coisa que o GPS vai marcar a mais. Então, não são 21 km apenas, tem vários metros depois. Já contando com isso, fui pelas placas da organização e nem me preocupei com a distância que iria marcar.

Na largada, meu número indicava o pelotão branco, o último, no fim de tudo. Eram 4 pelotões: Quênia, Azul, Verde e Branco. Não sei qual o critério utilizado. Pode ter sido o tempo do ano passado ou a inscrição pelo Peixe Urbano, não sei, mas lá fui eu para o pelotão designado. Não fez muita diferença porque, apesar de ter muitas pessoas, demorei menos de 2 minutos para passar pelo portal. Largando mais atrás, o congestionamento que previa nos primeiros quilômetros foi um pouco maior. Até o 2º km não me preocupei muito com o ritmo. Fui tentando manter uma velocidade constante, desviando aqui e acolá.

A partir do 3º km, na entrada da ponte, comecei a corrida de fato. O pessoal do 5 km já tinha feito o retorno e agora era só a meia e os 10 km. Como estava com o lap manual, o ritmo médio era da volta de 7 km e perdi um pouco a referência do ritmo em cada quilômetro. Durante a prova já vi que isso pode ter sido um erro. Com o ritmo médio na tela, via aqueles 6 min/km demorar para diminuir. Faz sentido. Quanto maior a extensão da volta, menor é a diminuição do ritmo, a menos que eu desse uns tiros, coisa que não tinha condição de fazer.

Por sorte, o Strava estima as parciais a cada quilômetro e, de acordo com ele, fiz os primeiros 7 km em 6:20, 5:55, 5:47, 5:30, 5:29, 5:24 e 5:27. Ou seja, a partir do 4º km que comecei a acelerar e talvez tenha sido muito rápido. Acredito que isso atrapalhou mais para frente. Para ter ideia, fechei os primeiros 7 km com 40:04, ritmo de 5:42 min/km. Mesmo com todo o esforço, o ritmo ficou acima do pretendido. Já era um mal sinal. Pensei comigo. Bom, do km 8 ao 14 é o momento para fazer um ritmo melhor. Depois vai ter a ponte, subidas e com certeza vou perder segundos.

O começo da segunda volta de 7 km foi animador. Parecia que ia dar. Só parecia. Fui bem até o km 10. Em certo momento, em uma passada qualquer no asfalto, senti ela, sim, o calo que pode virar bolha, aquele que aparece nos pés de quem treinou pouco e, do nada, decide fazer mais de 10 km contínuos quando nenhum treino foi maior do que 8 km. Fora o calo, as pernas começaram a sentir o esforço. Como estava com o ritmo médio, notei que o ritmo foi caindo muito a partir do km 11. De 5:33, 5:34, rapidamente já estava em 5:37, 5:38 e eu não conseguia manter ou melhorar.

Novamente, o Strava me ajuda nisso. Do km 8 ao 14, as parciais foram as seguintes: 5:30, 5:33, 5:33, 5:36, 5:44, 5:46, 5:45. Nota-se que realmente a sensação de estar perdendo força era verdade. Confirmava também a queda do ritmo médio. Fechei os 14 km da prova em 40:08, ritmo médio de 5:39 min/km. A diferença que dá dos primeiros 7 km para esses é que o Garmin marcou 7,03 km e depois 7,11 km. De qualquer forma, fechei os 14 km da prova com 1:20:12. Nem precisei pensar muito para ver que tinha menos de 40 minutos para correr 7 km e uns metros. Precisava fazer basicamente o que não tinha feito até então. Sabe o time quase rebaixado que tem 30% de aproveitamento dos pontos em 20 jogos e precisa fazer 70% em 10? Era o meu caso. O resultado? A gente sabe que só um milagre salva.

Tendo isso em mente, decidi que no km 15 ia acelerar e ver o que acontecia. Comecei a 5:24, mas não sustentei. Fiquei com ritmo médio de 5:31 e mais cansado. Eram 15 km e 1:25:34. Precisava correr 6 km em menos de 35 minutos. Em outros tempos, ritmo médio de 5:40 seria tranquilo. Não neste Meia de Floripa. Era o reflexo da falta de treinos. O cansaço bateu, a realidade me estapeou, a conta não fechava e aí eu desisti. Resolvi parar de sofrer tentando correr no ritmo desejado. Parei com a volta de 7 km, comecei a trotar e fiz o km 16 em 6:59. O esforço para tentar o sub 2 horas seria enorme. Para mim, seria mais frustrante fazer pouco acima de 2 horas do que um tempo mais alto. Chegar perto seria pior do que chegar bem longe.

No km 17 ainda esbocei um trotezinho e fechei a 6:28. Foi o acordo que fiz comigo, correria sem parar até a subida do elevado. Dito e feito. Na placa do km 17, na subida, peguei a água e comecei a andar. Só voltei a correr na descida do elevado até a subida da ponte. Na ponte, foi uma longa caminhada, com um trote enganador na descida, isso até chegar a placa do km 19, quando voltei a andar novamente. Sabia desde o primeiro instante que andar traria consequências. Quando você caminha pela primeira vez na prova, você vai querer caminhar de novo. Como o sub 2 horas já tinha ido embora, não me importei com os 8:28, 8:55, 10:18 e 9:00 nos últimos quilômetros. O sprint final foi a 7:19.

O pior de andar nem foi o ritmo cair ou andar mais vezes e sim o frio. Não estava MUITO frio, mas era um ar gelado de quase inverno. Caminhar fez o corpo esfriar. O resultado disso? Bom, começou a ficar mais gelado e cada nova tentativa de retomar o trote era pior porque o aquecimento se foi. As dores que antes incomodavam ficaram mais presentes. Cada passo era algo diferente que doía. Não aquela dor insuportável, mas a que aparece depois de correr 15 km e fica maior quando você desaquece. Andando na subida, na descida, no plano e tentando trotar em raros momentos, fui até o fim da prova. Em certo momento, achei que ia terminar a meia acima de 2h20, mas consegui o sub 2h20. Completei a Meia de Floripa com 2:17:04. Do breaking 2, fiz só o breaking.

A minha 29ª meia maratona, a 7ª Meia de Floripa, foi a pior meia maratona da vida. Bateu o recorde das 2:08:19 de 2011. Outra marca que caiu foi o fim das meias sub 2 horas em sequência. Desde 04/12/2011 não fazia uma meia acima de 2 horas. Foi a quarta prova de 21 km em que ultrapassei essa barreira. As anteriores foram todas em 2011, meu ano de estreia nas meias. Quando você acha que não tem mais o que acontecer de diferente, a falta de treinos mostra que sempre pode ser pior. Acredito que se ficasse trotando e tentando correr mais rápido, poderia ter feito até em menos de 2h08, mas quando desisti, foi a desistência mesmo. Um tempo alto assim talvez eu nunca mais repita. Se bem que pensei isso das meias acima de 2 horas e saiu essas 2h17.

O que poderia ter feito diferente?

Além de ter treinado mais, poderia ter feito diferente no Garmin. As voltas de 7 km me tiraram um pouco da noção de ritmo a cada quilômetro. Em nenhum treino me baseio em voltas longas. Testei algo novo no dia da corrida e não deu certo. Acreditei que essas voltas me ajudariam a não forçar demais no início, mas acabou não surtindo efeito. Acabei acelerando demais entre o km 4 e 7 e não sabia em que ritmo realmente estava. O mais sensato seria parar o cronômetro, salvar a atividade, mudar a configuração e voltar, mas ia ficar com duas corridas quebradas. Não conseguiria fazer isso haha.

Percurso

O grande diferencial da Meia de Floripa é o percurso. Nenhuma prova em Florianópolis consegue ter esse percurso: a largada é na Beira Mar Continental, no Estreito, atravessa as duas pontes, Pedro Ivo na ida e Colombo Salles na volta, passa por boa parte da Beira Mar Norte e retorna para o Estreito. As subidas aparecem no km 3 e 4 e no km 18. A do km 18 é a que quebra o ritmo de todo mundo. Por isso, quando se tem objetivo de tempo, recomenda-se chegar inteiro e com sobras no km 17, para, mesmo perdendo tempo no 18, conseguir recuperar nos 3 km seguintes, sendo um deles com descida. Nas pontes, a descida mais acentuada é na ida, o que, consequentemente, torna a subida da volta mais inclinada.

Hidratação

Por causa dos 5 km, já tinha posto de água no km 2. Durante toda a meia, sempre a cada 3 km ou menos tinha água. Bastante água. Não faltou em nenhum momento. Água sempre gelada. O clima também ajudou. No retorno, lá pelo km 10,5 estavam dando isotônico e mais na frente tinha distribuição de banana. Sim! Pela primeira vez na Meia de Floripa deram frutas no percurso. Desta vez, foram bananas. Não peguei porque não costumo comer nada, mas achei legal.

A chegada e o pós-prova

Na chegada, muita água para os corredores. Dali, tínhamos que retirar o chip, devolver para os staffs e então retirar a medalha. Mais à frente, isotônico, banana e maçã. A arena do evento tinha a Área VIP para os assinantes da O2 além de guarda-volumes, painéis para fotos, pódio e vários banheiros. O legal da medalha é que dessa vez elas vinham sinalizadas com a distância que a pessoa correu. Essa do post é a minha e marca 21K. Quem correu 10 km recebeu a marcando 10K e de 5 km estava com o 5K.

As dores que não apareceram

O lado positivo desse desastre da Meia de Floripa é que não tive problemas nos joelhos e nas panturrilhas. Senti dores normais depois de 15 km correndo sem parar, mas nada no nível que me fez parar no início de abril. Acordei na segunda com dores mínimas nas panturrilhas e joelho um pouco dolorido. Nada fora do normal, digamos que está dentro do esperado. Parece que estou aprendendo a entender essa situação.

Cobertura do Por Falar em Corrida

Fotos da Meia de Floripa

meia de floripa
PFC na Meia de Floripa
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Com o pessoal do Mania de Corrida

Certificado Meia de Floripa

meia de floripa

Links referentes à Meia de Floripa

Site da prova
Resultados
Corrida no Strava
Texto sobre a meia de 2016

Garmin

Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

2 comentários em “Meia de Floripa – 11/06/2017

  • 12/06/2017 em 14:58
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    Muito legal seu relato, pena que eu não estava presente nesta prova.

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