Fazendo contas


Durante as corridas em que tenho alguma meta de tempo que não seja tão folgada gosto de ficar fazendo contas e estabelecer metas para algumas passagens. São alguns pontos para verificar se estou no ritmo, perto ou longe. Quando é uma prova de 10 km, como foi a Track&Field em outubro, não tem muitos desses pontos, funciona mais na conta quilômetro a quilômetro.

Na Track, por exemplo, queria correr abaixo de 55 minutos. Então, cada 1 km tinha que ser na pior das hipóteses a 5:30. Como são poucos quilômetros, fica mais fácil. A cada parcial, vou somando ou diminuindo os segundos. Se a meta era 5:30 e faço 5:31, fico com 1 segundo a mais no tempo final. E assim vou fazendo até o fim. Caso faço no quilômetro seguinte 5:25, a conta já fica positiva em 4 segundos. Isso me ajuda a manter o foco na corrida (às vezes) e pode fazer ela passar mais rápido.

Em meias maratonas já é um pouco diferente. São 21 km e algum tempo correndo. Dá para fazer mais contas e ter alguns pontos importantes para checar o ritmo. Na Asics Golden Run Brasília, o foco era correr abaixo de 2 horas. Sendo assim, o ritmo precisa ser 5:40 ou menor, de preferência menos para ficar com uma sobrinha no fim. Nunca se sabe quando vai precisar. Como era uma meia maratona que não ia correr tão forte, estabeleci o 7º km, 14º km e 21º km como pontos de corte. Cada um deles precisaria fazer abaixo de 40 minutos.

O primeiro ponto de corte seria de 40 minutos e os seguintes cumulativos. O segundo em 1h20 e o terceiro em 2h. Esses números, no caso, seriam o limite. O ideal é sempre fazer abaixo. Em algumas meias, há também os pontos de corte a cada 5 km, mas no caso da Golden Run nem considerei a ideia. Foquei nos 7 km porque o número era redondo e parecia melhor para o momento. Sabia que a cada 5 km precisava fazer 28:20 ou menos, mas nem pensei muito nisso na corrida.

Passei o km 7 em 38:07, já com uma boa folga. O km 14 foi em 1:17:25. Foram 7 km em 39:18. A folga aumentou, mas diminuiu proporcionalmente. Os últimos 7 km e os metros finais foram feitos em 39:22. Considerando os metros a mais, foi uma boa folga. Tudo isso resultou na Golden Run em 1:56:47. Já no km 14 percebi que sub 2 horas ia sair com certa tranquilidade. Tinha pouco mais de 41 minutos para correr 7 km. Seria um ritmo mais lento do que todas as parciais da corrida.

Falando nisso, outra coisa que faço nas meias é quando está mais perto da metade, a partir do km 10, geralmente vejo o tempo total que passei, quantos quilômetros faltam e quantos minutos preciso para alcançar o objetivo. Essa conta é quilômetro a quilômetro. Ela me dá a possibilidade de readequar o objetivo de tempo na prova. Na Golden, quando passei o km 20 em 1:50:48 vi que sub 2 horas era certeza e poderia tentar algo a mais. Percebi que sub 1h57 era possível e fui atrás desse novo e último objetivo.

Em meias e maratonas é assim que funciona, com mais margens para contas e cálculos. Em provas de 5 km e 10 km me baseio mais na parcial de cada volta. Estabeleço um ritmo médio e tento ficar dentro dele, somando ou diminuindo os segundos da conta total. Gosto de trabalhar com a ideia de pontos de corte porque já consigo projetar se no 10º km ou 14º km da meia vou conseguir o tempo ou não. Fica tipo o desempenho daqueles times de futebol. Se em 75% do campeonato não fez o necessário, não vai ser nos 25% restantes que vai conseguir. Só em casos excepcionais. No meu caso, nunca aconteceu.

(Visited 27 times, 1 visits today)

Sobre Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *