A importância do óculos


Nesta minha vida recente de pedalar pela cidade, estou me deparando com situações novas e com as quais vou aprendendo a lidar de acordo com os acontecimentos. Quando comecei a dar as primeiras pedaladas, fui de óculos escuro por causa do sol e por causa de possíveis sujeiras que poderiam entrar mais fácil nos meus olhos. A cirurgia ainda não completou 4 meses e, apesar de levar uma vida normal, ainda tenho alguns cuidados. Nem sei se precisaria tê-los, mas é melhor garantir.

Na semana passada, teve um dia que simplesmente esqueci do óculos. O tempo estava nublado e acabei indo sem ele. Foi aí que vi a importância de usá-lo. Nem tanto pelo sol ou pelas sujeiras aéreas, mas sim por outros fatores. Neste dia que estava sem óculos, um carro passou por mim e mais à frente passou por umas pedrinhas e areia. Adivinha o que aconteceu? Uma dessas mínimas pedrinhas veio bem na direção do meu olho. Direto, sem avisar. Poderia atingir qualquer parte do corpo, mas foi bem no olho direito.

Obviamente, estava em movimento e fui surpreendido com a pedrinha voadora. Para minha surpresa, consegui não parar a bicicleta, mas tive que reduzir muito, já que uma mão estava no guidão e a outra no olho, tentando tirar a pedrinha. Aliás, não sabia se ela tinha batido e ficado por ali ou se tinha batido e saído. Só sei que o impacto foi bem desconfortável e ficou me atrapalhando por alguns instantes. Fiquei mexendo ali até sentir que não havia mais nada ali. E até aquele momento eu nem sabia mesmo se havia ou não. Apenas sentia um desconforto. Poderia estar ali ou poderia ser só o impacto. Não tive nenhuma sequela disso para a minha visão e para o olho operado, só o susto momentâneo de algo atingir o olho.

Chegando em casa, olhei no espelho e vi a minúscula pedrinha no canto do olho. Sim, de fato ela estava por ali e de tanto eu mexer acabou ficando do lado, sem atrapalhar no resto do pedal. Depois desse dia, nunca mais esqueci o óculos em casa. Tive ainda mais dois episódios que só confirmaram que não devo sair sem óculos. Em um deles, um mosquito ou um bicho desses que voa veio direto na lente do óculos. Alguns dias se passaram, estava eu na Beira Mar e dessa vez vem o que pareceu ser uma borboleta, que também veio contra a lente. Mais uma vez, o óculos me salvou.

A pedrinha do carro, que me fez perceber a importância do óculos, nunca mais aconteceu. Os bichos voadores, por outro lado, começaram a me encontrar por aí. Esses animais não devem ter senso de direção e de distância. Não sei como eles ficam depois de bater contra uma lente de óculos. Da minha parte, fica tudo bem. O óculos não quebrou e nada atingiu meu olho. Pedalando é que percebi como as coisas vem na nossa direção do nada, de repente. Depois do dia da pedrinha, aprendi a nunca mais sair sem óculos. Com os fatos posteriores, só confirmei que fiz a escolha certa. Se sair de bicicleta, vai ser com óculos.

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Sobre Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

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